O Brutalista: O Capitalismo e a Arte | Crítica | Cinema
- circuitogeral
- 18 de fev.
- 2 min de leitura
"Sonho Americano"
O Brutalista: O Capitalismo e a Arte | Crítica | Cinema
Pontos positivos:
Reflexão poderosa sobre o capitalismo: O filme não só critica as falácias do "sonho americano", mas também apresenta uma visão implacável do capitalismo como um sistema que consome e desfigura.
Tensão visual e sonora: A direção de fotografia de Lol Crawle é notável, criando uma tensão entre o belo e o monstruoso. As perspectivas ousadas não apenas ressaltam a grandiosidade das construções, mas também ampliam a sensação de desconforto que permeia o filme. A trilha sonora de Daniel Blumberg também acompanha essa dualidade, refletindo o vazio do sonho americano.
Exploração da arte como resistência: A arte, no contexto do filme, é retratada não como um mero reflexo do status quo, mas como uma resistência visceral ao poder. A crítica ao uso da arte para perpetuar ideologias opressivas é profunda e relevante, especialmente em tempos de ascensão do populismo e do fascismo.
Desconstrução do mito da terra prometida: A história de Tóth é uma representação sombrinha de como a América, supostamente o paraíso das oportunidades, acaba sendo uma máquina opressiva que destrói qualquer traço de identidade. O filme desmonta essa ilusão de "salvação" e abre um debate sobre a falácia do recomeço em terras "prometidas".
Pontos negativos:
Tom excessivamente sombrio e opressivo: O filme, em sua tentativa de ser brutal e visceral, às vezes se arrisca a ser excessivamente sombrio, o que pode afastar espectadores que não buscam essa carga emocional densa. A insistência no pessimismo pode se tornar cansativa e até indigesta.
Crítica ao judaísmo e sionismo: A abordagem do filme em relação ao judaísmo e ao sionismo é delicada e pode ser vista como um ponto controverso. A forma como Tóth é retratado como alguém que não se vê como parte do "projeto sagrado" de Israel, e a busca por um "lar", podem gerar interpretações polarizadoras que podem não ser bem recebidas por todos.
Por Paulo Sales

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